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Reconhecimento facial em shows entra na mira da justiça e preocupa o mercado internacional

Projeto de lei reacende debate sobre privacidade, reconhecimento facial e o futuro do acesso biométrico a eventos ao vivo nos Estados Unidos

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O avanço da biometria como ferramenta para acesso a eventos ao vivo voltou ao centro das discussões nos Estados Unidos. Legisladores do estado de Nova York retomaram a tramitação de um projeto de lei que pretende limitar o uso de dados biométricos por casas de espetáculos, arenas e promotores de eventos, movimento que pode impactar diretamente a adoção dessa tecnologia pela indústria do entretenimento.

A proposta, liderada pelos deputados estaduais Tony Simone e Rachel May, foi reapresentada após retornar à Assembleia Legislativa neste mês. O texto havia sido protocolado originalmente em fevereiro de 2025, em meio à repercussão envolvendo o uso de reconhecimento facial pelo Madison Square Garden. Entre os apoiadores da proposta está Zohran Mamdani, atual prefeito de Nova York, que também assinou o projeto quando ainda era parlamentar.

Caso seja aprovado, o projeto proibirá que venues coletem ou utilizem dados biométricos de fãs sem consentimento prévio e por escrito. Além disso, os operadores não poderão impedir a entrada de pessoas que optarem por não fornecer essas informações. O texto ainda prevê compensação financeira para consumidores caso seus dados biométricos sejam coletados ou armazenados em desacordo com a legislação.

Madison Square Garden amplia debate sobre reconhecimento facial

A discussão acontece em paralelo a uma disputa judicial envolvendo o Madison Square Garden e a revista Wired. A administradora do venue processou a publicação após uma reportagem afirmar que o grupo utilizaria tecnologias de rastreamento de clientes, incluindo reconhecimento facial.

O Madison Square Garden classificou as alegações como difamatórias e negou que qualquer informação seja utilizada para fins discriminatórios ou para restringir o acesso de determinados visitantes.

Tecnologia cresce na indústria de eventos

O Madison Square Garden está longe de ser um caso isolado. Desde 2019, o grupo utiliza soluções desenvolvidas pela empresa Clear para autenticação biométrica na entrada de eventos. Em 2022, inclusive, uma corte de apelação de Nova York reconheceu o direito da empresa de utilizar reconhecimento facial para impedir a entrada de advogados ligados a escritórios que mantinham processos ativos contra a companhia.

Agora, os parlamentares defendem que a legislação tenha como objetivo “proteger as informações biométricas — características fisiológicas, biológicas ou comportamentais mensuráveis atribuídas a um indivíduo — contra práticas de vigilância”.

O texto também cita estudos acadêmicos que apontam diferenças nos níveis de precisão dos sistemas de reconhecimento facial entre diferentes grupos étnicos, levantando preocupações sobre possíveis vieses raciais presentes em algumas tecnologias atualmente disponíveis.

Ticketing aposta na biometria como tendência global

Enquanto o debate regulatório avança em Nova York, empresas do setor de ticketing seguem ampliando investimentos em autenticação biométrica.

A Ticketmaster afirma que a tecnologia está “transformando o acesso de fãs e venues aos eventos ao vivo“. Segundo a empresa:

“A autenticação biométrica utiliza características físicas únicas, como traços faciais, para verificar a identidade. É a mesma tecnologia que os fãs já utilizam diariamente para desbloquear seus celulares, fazer check-in em aeroportos ou passar pela imigração. Agora, ela está tornando a entrada em eventos ao vivo igualmente simples.”

Em 2025, a AXS também anunciou novas funcionalidades que utilizam informações biométricas para autenticação no aplicativo e validação de ingressos vinculados às contas dos usuários durante o acesso aos eventos.

Mais recentemente, a startup Concert Kit ganhou destaque ao anunciar uma suposta parceria com a Live Nation para utilizar escaneamento de retina como forma de validar compradores humanos e reduzir a atuação de bots nas filas de ingressos. A Live Nation, no entanto, negou que qualquer parceria desse tipo tenha sido formalizada.

O que isso significa para o mercado?

A discussão em Nova York evidencia um dos principais desafios da próxima geração de tecnologias para eventos ao vivo: equilibrar inovação, segurança e experiência do público com privacidade e proteção de dados.

À medida que soluções biométricas ganham espaço no ticketing e no controle de acesso, cresce também a pressão por regras claras sobre como essas informações poderão ser coletadas, armazenadas e utilizadas por promotores, operadores de venues e plataformas de ingressos. Para uma indústria que busca reduzir fraudes e tornar a experiência do fã cada vez mais fluida, o debate pode influenciar a adoção dessas tecnologias muito além do estado de Nova York.