Em conferência da Goldman Sachs, CFO global da Live Nation comenta sobre o Brasil: ‘não tem infraestrutura moderna de arenas suficiente’
Joe Berchtold também revelou na conferência da Goldman Sachs que shows em idiomas "non-english" já representam 30% das 50 maiores turnês globais da empresa
Na última quarta-feira (9), na conferência Goldman Sachs Communacopia + Technology Conference, o CFO da Live Nation, Joe Berchtold, revelou que shows em idiomas “non-english” já representam 30% das 50 maiores turnês globais da produtora. Antes da pandemia, esse número era de apenas 8%.
“Antes da COVID, acho que 8% das nossas 50 maiores turnês eram de artistas que não falavam inglês. Hoje, são 30%”, explicou o executivo. Não vai demorar muito para eu estar aqui dizendo: agora mais da metade dos nossos artistas não são norte americanos, britânicos ou falantes de inglês.”
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Berchtold foi além dos números e deu um exemplo que ilustra a transformação em curso.
“Fico impressionado. Olho para todos os nossos shows em Los Angeles — o número de artistas que nunca ouvi falar que estão lotando arenas, até estádios em LA. Mas se você pensar bem: se você é um artista de um gênero muito específico, só precisa de 0,1% da população de LA para ser sua comunidade.”
O executivo foi direto ao nomear os fenômenos que estão conduzindo essa mudança.
“O artista número um no pós-COVID foi Bad Bunny, lotando estádios globalmente. Tem o K-pop, que foi um fenômeno enorme, e o Latino em geral. O segundo gênero mais popular no Brasil é o country, então você está vendo a explosão de artistas: o que costumava ser um gênero local ou regional agora é verdadeiramente global.”
A conclusão estratégica é direta: os mercados internacionais serão o principal motor de crescimento da empresa.
“Os mercados internacionais vão liderar nosso crescimento nos próximos anos”, afirmou.
O Problema de Infraestrutura que o Brasil Conhece Bem
A parte mais relevante da fala de Berchtold para o mercado brasileiro é o diagnóstico sobre infraestrutura de venues. O CFO revelou que, dos 75 principais mercados internacionais de turnês, 47 não têm infraestrutura moderna de arenas suficiente para atender à demanda.
“Olhamos para os top 75 mercados e 47 deles, internacionalmente, não têm infraestrutura moderna de arenas suficiente. E são grandes cidades. Roma, Istambul, Frankfurt na Europa. Seul, Tóquio, Manila na Ásia. América Latina: São Paulo, Rio, Lima. Cidades muito, muito grandes”, disse. “Não estou tentando selecionar a dedo essas 47 cidades que você nunca ouviu falar. São grandes mercados que carecem de infraestrutura.”
A razão pela qual a Live Nation classifica essa infraestrutura existente como insuficiente é financeira e operacional: o que essas cidades oferecem atualmente em grande parte não consegue “gerar as receitas brutas que os artistas precisam.”
“A grande, grande maioria da nossa estratégia Venue Nation, com arenas e outros grandes venues, está em mercados internacionais”, revelou Berchtold. E quando questionado se o mesmo raciocínio se aplica a outros tipos de venue, foi categórico: “Sem dúvida. As arenas são nossa prioridade número um. Arenas, particularmente na Europa, Ásia e América Latina.”
175 Milhões de Fãs — e a Meta de 225 Milhões
Apesar dos gargalos de infraestrutura, Berchtold afirmou que a Live Nation está tendo “bom progresso” em direção à meta estabelecida em 2025 de receber 225 milhões de fãs em eventos ao redor do mundo até o final deste ano. Até agora, a empresa já recebeu aproximadamente 175 milhões.
Para o Brasil, o recado é duplo: o país está nominalmente na lista dos mercados prioritários — São Paulo e Rio foram citados explicitamente —, mas a falta de infraestrutura moderna de arenas é reconhecida como um freio real para o crescimento. O anúncio recente da Live Nation de construir uma nova arena em São Paulo, prevista para abrir em 2028 com capacidade para 20.000 pessoas, é a resposta prática a esse diagnóstico.
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