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Empresas que investem em liderança feminina crescem mais, aponta estudo

Novo relatório global mostra que organizações comprometidas com iniciativas de igualdade de gênero registram melhor desempenho em receita, geração de empregos e inovação. Apesar dos avanços, mulheres ocupam apenas 32,9% dos cargos de alta liderança no mundo e apenas 5,2% das posições de CEO no Brasil

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Durante anos, a discussão sobre diversidade de gênero esteve associada principalmente a agendas de inclusão e responsabilidade corporativa. Mas um novo estudo da Grant Thornton mostra que a equidade deixou de ser apenas uma pauta institucional para se tornar um diferencial competitivo.

No Brasil, o desafio se torna ainda mais evidente quando a análise chega ao principal cargo executivo das empresas. Embora as mulheres ampliem sua participação em posições de liderança, elas representam apenas 5,2% dos CEOs das companhias brasileiras, segundo levantamento do Evermonte Institute, percentual próximo da média global de 6% para presidências executivas.

Segundo o relatório Women in Business 2026, empresas de médio porte que mantêm políticas estruturadas de igualdade de gênero apresentam desempenho superior em indicadores financeiros, inovação e crescimento. Hoje, 92,7% dessas organizações possuem iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DE&I) e 75,8% afirmam manter o compromisso com programas voltados à igualdade de gênero

Diversidade impulsiona resultados

Entre as empresas que mantiveram seus programas de equidade e planejam ampliar essas iniciativas, os resultados chamam atenção.

O estudo aponta que:

  • 73% registraram crescimento superior a 5% na receita;
  • 56,2% ampliaram seu quadro de colaboradores em mais de 5%;
  • 48,8% expandiram suas exportações acima de 5%.

Para a Grant Thornton, os dados demonstram que políticas voltadas à igualdade de gênero estão diretamente associadas ao fortalecimento dos negócios e à geração de empregos.

Inovação, decisões melhores e desempenho financeiro

Além dos indicadores econômicos, as empresas também identificam ganhos estratégicos decorrentes de equipes de liderança mais diversas.

Segundo a pesquisa, 22,1% dos executivos afirmam que a diversidade de gênero tornou seus negócios mais inovadores. Outros 19,5% relatam melhoria na qualidade das decisões e 18,8% apontam impactos positivos no desempenho financeiro. 

Para Jenn Barnett, diretora de Inclusão, Diversidade e ESG da Grant Thornton UK, a discussão deixou de ser apenas uma questão de valores.

“A igualdade de gênero já não é apenas uma iniciativa baseada em valores. Equipes de liderança diversas reduzem pontos cegos, melhoram o relacionamento com clientes e fortalecem a gestão de riscos.” 

O avanço ainda acontece lentamente

Apesar dos benefícios observados, o relatório mostra que a presença feminina na alta liderança ainda evolui em ritmo lento.

Atualmente, 32,9% dos cargos de alta liderança no mundo são ocupados por mulheres, percentual que representa um pequeno recuo em relação ao ano anterior. Ainda assim, a participação feminina cresceu 13,4 pontos percentuais desde o início da série histórica da Grant Thornton, há pouco mais de duas décadas.

No Brasil, embora as mulheres ocupem 37,7% das posições de alta liderança — acima da média global — elas continuam sub-representadas no principal cargo executivo das empresas. Segundo o Evermonte Institute, apenas 5,2% das companhias brasileiras têm uma mulher como CEO, evidenciando que o maior desafio permanece na sucessão para o topo das organizações.

Mantido o ritmo atual, a Grant Thornton estima que a paridade de gênero na liderança corporativa só será alcançada em 2051.

O desafio permanece na cadeira de CEO

Embora a participação feminina em cargos executivos continue avançando globalmente, a presidência das empresas ainda é predominantemente masculina.

No cenário mundial, 23,8% das posições de CEO já são ocupadas por mulheres nas empresas de médio porte analisadas pela Grant Thornton, um avanço de 2,1 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

No Brasil, entretanto, o cenário é mais restritivo. O levantamento do Evermonte Institute mostra que apenas 5,2% das empresas brasileiras são lideradas por mulheres, indicando que a ascensão ao principal cargo executivo ainda representa o maior desafio da equidade de gênero no ambiente corporativo.

A diversidade também influencia investimentos e talentos

O estudo mostra que a composição das lideranças passou a influenciar decisões de investidores e profissionais.

Segundo a pesquisa, 26,5% das empresas afirmam que potenciais investidores solicitaram informações sobre equilíbrio de gênero na liderança ou compromissos relacionados ao tema antes de investir. 

No mercado de trabalho, o movimento também ganha força. 91,9% dos líderes entrevistados afirmam considerar as iniciativas de igualdade de gênero ao avaliar uma oportunidade profissional, enquanto 66,6% dizem que esse fator é prioridade na escolha de uma empresa.

Liderança diversa como estratégia de negócios

Ao longo do relatório, a Grant Thornton reforça que a diversidade deixou de ser apenas uma pauta de responsabilidade corporativa para se consolidar como um elemento estratégico para crescimento, inovação e competitividade.

Na avaliação da consultoria, organizações que tornam suas iniciativas de igualdade de gênero visíveis, consistentes e integradas à estratégia tendem a atrair mais talentos, conquistar investidores e apresentar resultados superiores, reforçando a ideia de que diversidade não é apenas uma questão de representatividade, mas também de desempenho empresari