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Potyra Lavor: ela provou que Salvador pode receber qualquer artista do mundo

Fundadora da IDW e arquiteta de experiências que já moveram Beyoncé, Lauryn Hill e o Afropunk, ela fala sobre diversidade como base de negócio, o fim da centralização de mercado e o próximo grande movimento do entretenimento

Fundadora e CEO da IDW, ela construiu uma das trajetórias mais singulares do entretenimento brasileiro contemporâneo. Em sete anos, transformou uma empresa baiana em referência nacional e internacional — reconhecida pela IQ Magazine como a nova entrante mais bem-sucedida do mercado de entretenimento do Brasil. Um título que não veio por acaso.

A IDW opera na intersecção entre entretenimento, curadoria cultural e comunidade. É agência full service no Brasil do Afropunk, o maior festival de cultura negra do mundo, com edições em Nova Iorque, Atlanta, Miami, Oakland, Minneapolis, Londres, Paris e Joanesburgo.

Palco Afropunk – Foto: @mateusORoss

Foi a empresa que, em parceria com a Parkwood e a TV Globo, realizou a curadoria e produção do Club Renaissance em Salvador — a única edição do evento na América Latina, com Beyoncé. A mesma que recebeu o chamado de Ms. Lauryn Hill para criar experiências exclusivas para seus fãs no Brasil e na África do Sul. E que em 2026 lançou o Arraiá do Brasil, plataforma de cultura junina de escala nacional que conecta tradição e contemporaneidade.

Beyoncé e time IDW – Foto: Acervo pessoal

No campo do reconhecimento institucional, a IDW acumula o Prêmio Prese da Abrape — pela iniciativa de sustentabilidade desenvolvida no Afropunk Brasil — e o Prêmio Parceiros em Excelência da Rede Globo, que reconhece qualidade de entrega e inovação na produção de eventos. Dois prêmios de naturezas distintas que dizem muito sobre como a empresa opera: com responsabilidade e com excelência ao mesmo tempo. Tudo isso construído a partir de Salvador, por uma mulher, numa indústria que historicamente concentrou seu poder em outros lugares e em outros perfis.

Foto: Reprodução/Linkedin

Nesta conversa para o Showbiz Brasil, Potyra fala sobre o que aprendeu, o que vê pela frente e o que ainda precisa mudar.

“Diversidade não é anexo. É a base.”

A IDW tem hoje 74% do seu quadro composto por mulheres. Mas Potyra é rápida em deixar claro que esse número não é resultado de uma política de diversidade — é resultado de uma visão de negócio.

“A gente nunca tratou a diversidade como um anexo a ser considerado. Ela é base da empresa, pronto”, diz ela. “Várias pesquisas mostram isso e a gente sempre soube na prática: diversidade gera inovação. E o que a gente está construindo no mercado brasileiro é uma empresa de entretenimento inovadora, com uma metodologia muito própria. Ser diverso contribui fortemente para isso.”

Essa diversidade, explica, vai além do gênero. Raça e regionalidade são igualmente estruturantes para uma empresa que se propõe a entender e operar o entretenimento brasileiro de verdade.

“Quando a gente fala de atuar num mercado do tamanho e da riqueza cultural do Brasil, nada faz mais sentido do que ter uma empresa com gente em diferentes regiões. O que deveria ser básico no mercado como um todo — as pessoas se sentirem seguras para contribuir, para serem quem são — infelizmente ainda não é.”

Beyoncé em Salvador: quando uma artista muda o olhar do mercado

Em 2023, a IDW realizou, em parceria com a Parkwood e a TV Globo, a curadoria e produção do Club Renaissance em Salvador — a única edição do evento na América Latina. Foi um momento que Potyra descreve como divisor de águas, não apenas para a empresa, mas para o mercado brasileiro como um todo.

Foto: Acervo pessoal

“Eu tive a oportunidade de dizer pessoalmente: ela mudou o jogo, mudou um olhar de mercado”

– Potyra para Beyoncé

“A partir do momento que uma das maiores artistas do mundo toma uma decisão como essa — escolher Salvador —, ela muda o olhar do mercado. Traz os holofotes para algo fora do eixo econômico tradicional do Brasil.”

Mas para Potyra, a lição que fica vai além do simbolismo. É uma questão de estratégia de mercado.

“O potencial de São Paulo é absolutamente inquestionável. Mas a gente só vai atingir uma posição maior no ranking mundial quando olhar o Brasil como um todo. A gente precisa deixar de ter essa visão míope e entender que, se conseguimos desenvolver mais polos de entretenimento, o mercado ganha como um todo.”

Foto: Instagram @potyralavor

Ela reforça um ponto que considera essencial nesse processo: trabalhar com fornecedores e talentos locais onde quer que se chegue.

“É desenvolvendo e colaborando com esses fornecedores que a gente vai realmente fortalecer o crescimento do mercado em outras praças.”

O futuro e um mercado mais horizontal

Fundada em 2019 — “na véspera de uma pandemia”, ela lembra com uma mistura de ironia e orgulho —, a IDW nasceu e cresceu num dos períodos mais turbulentos da história recente do entretenimento. Talvez por isso Potyra tenha uma visão peculiarmente clara sobre o que está por vir.

Para ela, a principal transformação dos últimos anos e o próximo grande movimento do setor apontam para a mesma direção: uma relação mais horizontal entre artistas, empresas e público.

“A gente está na onda dos superfãs, e a IDW já mapeava isso há três, quatro anos”, diz ela. “Mas não estou falando só de pesquisa — pesquisa a gente já faz em todos os projetos, inclusive de impacto econômico. Estou falando de construir de fato uma mesa horizontal entre artistas, festivais, empresas e fãs. Ouvir de verdade.”

Ela alerta para uma armadilha comum entre profissionais experientes.

“A gente precisa ter muito cuidado para não achar que já viveu tudo e tem todas as respostas. Porque a gente está em constante transformação. Estar conectado com o que a nova geração está ouvindo, percebendo e esperando de uma experiência ao vivo — o mínimo disso já gera uma entrega gigantesca.”

O diferencial da IDW nesse sentido, conta, é comprovado pelo engajamento das comunidades com as quais trabalha.

“Quando você constrói essa relação de maneira honesta e horizontal, o envolvimento é completamente diferente. A experiência ao vivo é humana, é de comunidade. É o que se vive ao lado de alguém num momento que não se replica, que não volta. Isso é a base de tudo.”

A ambição de Potyra Lavor

Foto: Acervo pessoal

Os próximos capítulos da IDW têm nome e data. Em 2026, a empresa apresentou no IDW Movimento — seu upfront anual — todos os projetos até 2028. O objetivo declarado é entrar no top 5 do mercado de entretenimento brasileiro.

“Somos uma empresa muito jovem. Sete anos, sendo que nascemos na véspera da pandemia — então somos ainda mais jovens se excluirmos esse período”, pondera Potyra. “Mas temos uma metodologia muito própria e sempre colocamos os fãs e o público como protagonistas. Sem eles, nada mesmo acontece.”

No plano internacional, a IDW quer fortalecer ainda mais suas pontes — sempre aterrissando na cultura brasileira.

“O que fizemos com o Afropunk, o que realizamos com a Beyoncé no Club Renaissance, onde os fãs brasileiros foram protagonistas de algo que ela não fez em nenhum outro lugar do planeta — isso é o que orienta a gente.”

E em paralelo a tudo isso, Potyra tem um compromisso pessoal que carrega com igual seriedade: fortalecer outras mulheres no setor.

“O mercado ainda tem liderança majoritariamente masculina. E é justamente por isso que eu quero me colocar sempre à disposição — como eu posso fortalecer outras mulheres, outras empresárias, outros talentos por onde a gente passa.”

Ela encerra com a convicção de quem já provou que é possível.

“Eu não tenho dúvidas da nossa potência. A gente dá aula a muita gente. Quando a gente tiver mais empresários e empresárias com esse olhar — de construção de mercado, não só de negócio próprio —, a gente coloca o Brasil em outro lugar.”

#PotyraMoveOMercado

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