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Live Nation formaliza no Cade aquisição da Farmasi Arena e avança sobre mercado de venues no Rio

Documento obtido pela Showbiz revela detalhes da operação: Live Nation Brazil Venues pretende adquirir 100% de uma nova empresa que concentrará os ativos, contratos e direitos relacionados à gestão da arena de 17 mil lugares

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A Live Nation deu um passo concreto para ampliar sua presença na infraestrutura do show business brasileiro.

A Live Nation Brazil Venues Ltda., subsidiária criada pelo grupo para atuar na operação de espaços de eventos, protocolou no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) um ato de concentração para adquirir a operação da Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, atualmente administrada pela GL Events.

A Showbiz teve acesso ao documento da notificação apresentada ao Cade. O registro foi protocolado em 3 de outubro de 2026 e confirma que a operação envolve a aquisição, pela Live Nation Brazil Venues, de 100% das participações societárias de uma nova empresa (NewCo), para a qual a GL Events transferirá os ativos, direitos, contratos, licenças, autorizações e aprovações relacionados à operação e gestão da arena.

Na prática, a Live Nation pretende assumir o controle operacional e comercial da arena carioca, que tem capacidade para aproximadamente 17 mil pessoas.

Um movimento que vai além de shows

A operação coloca a Live Nation em uma posição ainda mais estratégica dentro da cadeia de entretenimento brasileira.

O grupo já atua na produção e promoção de shows e turnês, é controlador da Ticketmaster e possui participação majoritária na Rock World, responsável por marcas como Rock in Rio e The Town.

Agora, por meio da Live Nation Brazil Venues, o grupo busca ampliar sua atuação sobre outro elo da cadeia: a infraestrutura onde os eventos acontecem.

A própria estrutura societária apresentada ao Cade mostra que a Live Nation criou uma empresa específica para operar espaços de eventos.

O movimento também acontece em paralelo ao projeto da futura Arena São Paulo, anunciado pela Live Nation em parceria com a Cidade Center Norte, com capacidade prevista de até 21 mil pessoas e inauguração estimada para 2028.

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Se as duas operações avançarem, a companhia terá presença em arenas de grande porte em São Paulo e Rio de Janeiro, dois dos principais mercados de música ao vivo do país.

O que está sendo comprado

Diferentemente de uma aquisição tradicional do imóvel, o documento apresentado ao Cade descreve uma operação focada nos ativos e direitos relacionados à operação e gestão da arena.

A GL Events transferirá para a NewCo os ativos, direitos, contratos, licenças, autorizações e aprovações vinculados à operação do espaço. A Live Nation Brazil Venues, então, adquirirá 100% da participação societária nessa empresa.

A estrutura permite que a Live Nation assuma a exploração comercial da arena sem que a operação seja apresentada como uma simples compra do imóvel.

Shows, festivais, teatro e esporte

O potencial da arena também está na possibilidade de diversificar sua utilização.

A estratégia prevê que o espaço possa receber shows, musicais, peças de teatro, espetáculos de comédia, festivais e eventos esportivos, tanto promovidos pela própria Live Nation quanto por outras produtoras.

Com isso, o ativo pode funcionar não apenas como palco para grandes turnês, mas como uma plataforma de eventos com programação ao longo de todo o ano.

A arena, construída para os Jogos Pan-Americanos de 2007, já recebeu nomes como Paul McCartney, Beyoncé e Amy Winehouse e passou por diferentes marcas ao longo de sua história, incluindo Rioarena, HSBC Arena e Jeunesse Arena.

O que o Cade vai analisar

Na notificação, Live Nation e GL Events sustentam que a operação apresenta mínima sobreposição horizontal no mercado de entretenimento ao vivo e uma integração vertical entre os mercados de venda de ingressos online e entretenimento ao vivo.

Segundo as empresas, as participações de mercado não ultrapassariam 20% no mercado horizontal e 30% na integração vertical, razão pela qual defendem que a operação seja analisada pelo rito sumário e aprovada sem restrições.

A análise concorrencial ainda cabe ao Cade.

O processo também possui documentos de acesso restrito, incluindo o contrato da operação e formulários de notificação com informações concorrencialmente sensíveis.

Operação já está em tramitação

Os registros do processo mostram que a documentação começou a ser protocolada no Cade em 3 de outubro. Nos dias seguintes, foram criados processos de acesso restrito para a Live Nation Brazil Venues, para a GL Events e para as requerentes em conjunto.

Em 5 de outubro, o processo passou por diferentes unidades do Cade, incluindo a CGAA5, e houve a publicação do Edital 753. No dia seguinte, 6 de outubro, consta no andamento a assinatura do Despacho Decisório 1164 e a conclusão do processo na unidade.

A movimentação indica que o negócio já entrou formalmente no fluxo de análise do órgão antitruste.

A disputa pelo controle dos venues

Mais do que a possível mudança de operador de uma arena, o negócio sinaliza uma transformação importante no show business brasileiro.

Durante muito tempo, a disputa entre grandes players esteve concentrada em artistas, turnês, festivais e ingressos. A infraestrutura começa a ganhar peso semelhante.

Controlar ou operar uma arena significa estar presente em uma etapa estratégica da cadeia: o espaço onde se encontram artistas, produtores, público, marcas e ticketing.

No caso da Live Nation, essa integração ganha ainda mais relevância porque o grupo já atua em diferentes pontos desse ecossistema.

A possível aquisição da Farmasi Arena, portanto, não representa apenas a entrada da Live Nation em mais uma casa de shows.

É mais um movimento de verticalização de um dos maiores grupos de entretenimento ao vivo do mundo no mercado brasileiro.