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Depois de júri concluir monopólio de Live Nation, Trump interfere e encerra o processo

Segundo o WSJ, depois de reunião com Rapino, foi o próprio presidente americano quem impulsionou o encerramento do processo antitruste contra a maior empresa de entretenimento ao vivo do mundo

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O acordo que encerrou o processo antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra a Live Nation não foi resultado de uma negociação ordinária entre advogados e reguladores. Segundo reportagem do Wall Street Journal, foi o próprio presidente Donald Trump quem pressionou pelo desfecho — depois de uma reunião no Salão Oval com Michael Rapino, presidente e CEO da Live Nation.

De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, Rapino foi convocado por Trump em 27 de fevereiro de 2026. O motivo inicial era outro: o presidente queria melhorar a programação do Kennedy Center, que havia sofrido após sua intervenção na instituição. Durante o encontro, Trump perguntou a Rapino por que a empresa ainda não havia chegado a um acordo com o governo. Pouco depois, Trump teria ligado para autoridades do Departamento de Justiça. O acordo foi anunciado em 9 de março, num tribunal federal em Nova York — surpreendendo não apenas os observadores do caso, mas também o próprio juiz Arun Subramanian, o advogado representando o DOJ e o conselho interno da Live Nation.

O Que Aconteceu Entre Fevereiro e Março

Entre a reunião de fevereiro e o anúncio do acordo, executivos da Live Nation retornaram à Casa Branca. Desta vez, o encontro envolveu a então Procuradora-Geral Pam Bondi, o Conselheiro da Casa Branca David Warrington e James McDonald — à época advogado do escritório Sullivan & Cromwell representando Trump em dois recursos pessoais e hoje indicado para o cargo de Procurador dos Estados Unidos no Distrito Sul de Nova York. Trump, segundo o Wall Street Journal, apareceu na reunião e perguntou por que um acordo ainda não havia sido fechado.

A existência dessas reuniões já era conhecida graças a um protocolo judicial apresentado em 24 de junho — exigido pela Lei Tunney, legislação da era Nixon que regulamenta a revisão de acordos antitruste. O documento revelou que as negociações do acordo não envolveram apenas a divisão antitruste do DOJ, como seria esperado, mas chegaram ao Gabinete do Conselheiro da Casa Branca — uma circunstância altamente incomum.

O Wall Street Journal foi além: revelou o envolvimento direto do presidente num caso que, apesar de iniciado pelo governo anterior, tinha amplo apoio bipartidário. A prova mais clara disso: quando o DOJ anunciou o acordo, apenas alguns estados optaram por aderir. Outros 33 — incluindo vários com procuradores-gerais republicanos — seguiram para o julgamento que eventualmente venceram. Em abril, um júri concluiu que a Live Nation operava como um monopólio ilegal.

O jornal também reportou que Boris Epshteyn, coordenador jurídico de longa data de Trump, “havia demonstrado grande interesse em resolver o caso, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. Os envolvidos não sabiam ao certo se ele estava trabalhando para Trump ou para a Live Nation, ou para ambos.” Um porta-voz da Casa Branca negou ao WSJ qualquer confusão sobre o papel de Epshteyn.

O Que Cada Lado Diz

O Departamento de Justiça afirmou que o acordo foi fechado para oferecer alívio rápido aos consumidores, em vez de arriscar uma batalha jurídica que poderia ser perdida.