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Live Nation nega lucrar com cambistas e afirma bloquear 260 milhões de ataques de bots por dia

Em resposta à ação da FTC, Live Nation e Ticketmaster negam irregularidades e dizem ter investido mais de US$ 1 bilhão desde 2010 no combate à revenda abusiva. A agência acusa as empresas de permitirem compras acima dos limites estabelecidos por artistas e de cobrarem taxas em diferentes etapas da revenda

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A Live Nation e a Ticketmaster contestaram formalmente as acusações da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) de que teriam lucrado com cambistas que burlavam os limites de compra de ingressos estabelecidos por artistas.

Em documento apresentado em 13 de outubro de 2026, a defesa classificou a ação como “equivocada” e argumentou que o Better Online Ticket Sales Act (BOTS Act), lei de 2016 criada para combater a compra automatizada de ingressos, estaria sendo aplicado de forma inadequada contra as próprias plataformas de venda.

Tradução: Segundo as empresas, a nova interpretação da Comissão transforma uma lei voltada a bots e outras formas de exploração tecnológica em uma regulação ampla do setor, que penalizaria os esforços de prevenção de abusos de compra das plataformas, mesmo quando essas medidas não são infalíveis. (Trecho da declaração apresentada pela Ticketmaster em sua defesa judicial)

O que diz a FTC

A ação, movida em setembro de 2025 pela FTC e por sete estados americanos, alega que a Ticketmaster permitiu que intermediários utilizassem centenas ou milhares de contas para comprar ingressos acima dos limites definidos pelos artistas e depois revendê-los na própria plataforma.

Segundo a denúncia, isso possibilitaria uma espécie de cobrança tripla de taxas: na compra original, na revenda e na nova venda ao consumidor. A FTC também questiona a divulgação de preços sem todas as taxas obrigatórias e a transparência sobre a fiscalização dos limites de compra.

A denúncia afirma que consumidores pagaram mais de US$ 16,4 bilhões em taxas obrigatórias nas compras pela Ticketmaster entre 2019 e 2024. As taxas relacionadas à revenda teriam somado outros US$ 3,7 bilhões no período.

A defesa das empresas

No documento judicial, a Live Nation e a Ticketmaster afirmam ter investido mais de US$ 1 bilhão desde 2010 para combater cambistas e proteger o acesso dos fãs aos ingressos.

As empresas também declaram que, em 2025, a Ticketmaster detectou e bloqueou quase 260 milhões de tentativas diárias de acesso por bots. Entre as medidas citadas estão autenticação de contas, desafios CAPTCHA, identificação de contas sob controle comum e cancelamento de cadastros considerados inautênticos.

Tradução: Em 2025, a Ticketmaster detectou e bloqueou quase 260 milhões de tentativas diárias de acesso por bots aos seus serviços e atualmente bloqueia dezenas de milhares de tentativas suspeitas de criação de contas inautênticas por dia. (Trecho da declaração apresentada pela Ticketmaster em sua defesa judicial)

A defesa sustenta que a legislação foi criada para punir quem contorna mecanismos de proteção — e não para responsabilizar plataformas por não conseguirem impedir todas as tentativas de abuso. Segundo as empresas, essa interpretação poderia desestimular investimentos em segurança e até levar plataformas a reduzir seus serviços de revenda.

Sobre a apresentação de preços, a Ticketmaster afirma que atualmente adota o modelo all-in pricing, que inclui as taxas obrigatórias no preço divulgado, e nega ter enganado consumidores sobre valores ou limites de compra.

O que acontece agora?

A FTC busca penalidades civis, compensações financeiras e uma ordem judicial para impedir as práticas que denuncia. Em setembro, a juíza federal Maame Ewusi-Mensah Frimpong já havia rejeitado um pedido das empresas para encerrar o processo, mas ressaltou que, naquela etapa, não estava decidindo se as acusações eram verdadeiras.

A nova manifestação formaliza a defesa das companhias. As alegações ainda precisam ser julgadas, e os números sobre bloqueios de bots e investimentos em segurança são informações apresentadas pelas próprias empresas no processo.

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