Karla Megda: dados, experiência e estratégia para entender o que move o mercado de eventos
Integrante do time de Estratégia de Mercado da Sympla, Karla reúne mais de 12 anos de experiência em tecnologia e entretenimento e defende que o futuro da indústria depende da combinação entre inteligência de dados, conhecimento prático e relações humanas
Conhecer o mercado de eventos vai muito além de acompanhar números, desenvolver tecnologia ou criar estratégias de negócio. É preciso compreender quem está por trás de cada operação, quais desafios enfrenta e o que realmente faz a experiência funcionar. Essa é uma das principais convicções de Karla Megda, profissional de estratégia e tecnologia que construiu sua trajetória entre o entretenimento e o desenvolvimento de negócios.
Atualmente no time de Estratégia de Mercado da Sympla, Karla trabalha na identificação de tendências, no desenvolvimento de mercados e na transformação de informações em oportunidades para a empresa e seus parceiros. Sua atuação conecta dados, comportamento do público e tecnologia, mas sua perspectiva sobre o setor também vem de uma experiência anterior: ela já esteve do outro lado do negócio, trabalhando como produtora de eventos e de artistas.
Essa combinação entre vivência operacional e visão estratégica é um dos pontos centrais de sua carreira. Na avaliação de Karla, compreender as necessidades dos produtores exige mais do que analisar indicadores: é necessário conhecer a realidade de quem está na linha de frente.
“Para mim, conhecer profundamente o mercado significa justamente isso: estar próximo de quem faz, compreender suas necessidades e transformar essa vivência em inteligência, estratégia e oportunidades para todo o ecossistema.”
Da operação à estratégia: conhecer o mercado por dentro
Karla acompanha a trajetória da Sympla desde o segundo ano de fundação da empresa. Ao lado dos fundadores, teve a oportunidade de vivenciar diferentes etapas do crescimento do negócio e acompanhar as transformações do mercado de eventos brasileiro.

Ao longo desse percurso, também passou por outras empresas, áreas e segmentos, ampliando seu repertório profissional antes de retornar à Sympla com uma visão ainda mais abrangente sobre estratégia e desenvolvimento de negócios. Essa experiência em diferentes frentes contribuiu para a maneira como enxerga a construção de soluções para o setor.
“Estou na Sympla desde o segundo ano de sua fundação e tive a oportunidade de acompanhar de perto, ao lado dos fundadores, o crescimento da empresa e as transformações do mercado de eventos em todo o Brasil. Além disso, já estive do outro lado do negócio, como produtora de eventos e de artistas.”
A vivência prática permite que Karla compreenda os desafios dos produtores não apenas pela perspectiva de uma plataforma de tecnologia, mas também a partir de quem já precisou lidar com as exigências da operação, as negociações comerciais e as necessidades dos artistas.
Para ela, essa complementaridade é importante na construção de soluções relevantes. Uma visão técnica pode desenvolver uma boa ferramenta, mas conhecer a operação e as dificuldades comerciais ajuda a identificar problemas reais e a entender como uma solução pode gerar valor para quem a utiliza.
“Uma pessoa com uma visão muito técnica pode desenvolver uma excelente solução, mas quem já viveu a operação, conhece os desafios comerciais e entende a realidade do cliente consegue contribuir de outra maneira.”
Hoje, seu trabalho consiste justamente em conectar essas perspectivas: observar o mercado, identificar tendências e levar essas percepções para dentro da empresa, articulando diferentes áreas para transformar conhecimento em iniciativas concretas.
É uma abordagem que posiciona a estratégia não apenas como uma função de análise, mas como uma ponte entre as necessidades do mercado e as decisões de negócio.
Liderança feminina: da execução ao protagonismo
A discussão sobre representatividade feminina no entretenimento costuma passar pela presença de mulheres nas equipes e nas operações. Para Karla, porém, existe outra dimensão igualmente importante: garantir que elas também sejam reconhecidas como referências, ocupem espaços públicos e participem das decisões que definem os rumos da indústria.

Em sua avaliação, o mercado reúne mulheres com ampla experiência, capacidade de realização e conhecimento técnico, muitas delas responsáveis por fazer grandes projetos acontecerem nos bastidores. Ainda assim, essa presença nem sempre se reflete na representação pública do setor.
“Muitas delas estão nos bastidores, liderando operações, construindo negócios e fazendo projetos acontecerem, enquanto, na hora de representar o setor publicamente, participar de debates ou ocupar espaços de decisão, muitas vezes são os homens que continuam aparecendo como as principais referências.”
A diferença entre executar e representar revela um desafio que vai além da contratação de mulheres. Trata-se também de ampliar sua visibilidade, reconhecer sua expertise e garantir que tenham oportunidades de influenciar discussões estratégicas.
Para Karla, essa transformação começa em decisões cotidianas: quem é convidado para um debate, quem representa uma empresa em um evento, quem recebe oportunidades de exposição e quais profissionais são considerados quando se busca uma referência no mercado.
“Não basta termos mulheres incríveis fazendo o mercado acontecer; precisamos que elas também sejam reconhecidas como as pessoas que o representam e ajudam a definir seus rumos.”
Ela também chama atenção para a responsabilidade de homens que já ocupam posições de liderança e decisão. Reconhecer profissionais, indicar seus nomes, compartilhar espaços e apoiar iniciativas de representatividade são atitudes que podem contribuir para mudanças concretas.
A visão de Karla é que essa responsabilidade precisa ser compartilhada por toda a indústria, incluindo empresas e lideranças. A ampliação da presença feminina não deve depender apenas da iniciativa das próprias mulheres, mas de um compromisso contínuo com oportunidades reais de participação e reconhecimento.
Dados como ferramenta para entender o consumidor
Se conhecer o mercado exige proximidade com quem faz os eventos, compreender o consumidor demanda uma visão ainda mais ampla sobre seus interesses, hábitos e decisões.

Na Sympla, Karla trabalha com uma perspectiva que combina a capilaridade da plataforma e a análise do comportamento de públicos diversos. Segundo os dados que compartilha, a empresa reúne mais de 62 mil eventos vendendo simultaneamente e uma base superior a 325 mil produtores. A plataforma registra ainda a venda de mais de 135 ingressos por minuto.
Esses números, segundo ela, ajudam a observar diferentes realidades do mercado brasileiro, desde pequenos produtores no interior até eventos de impacto nacional.
A atuação da Sympla também se beneficia de sua integração ao ecossistema Prosus, ao lado de empresas como iFood e Decolar. Essa conexão permite trocar experiências e ampliar a compreensão sobre a jornada do consumidor, incluindo etapas que antecedem e sucedem a participação em um evento.
“Essa visão é muito valiosa porque nos ajuda a entender melhor os interesses, as necessidades e os comportamentos das pessoas.”
Para Karla, o valor dos dados não está apenas na capacidade de reunir grandes volumes de informação, mas em transformar esse conhecimento em decisões práticas.
Para os produtores, isso pode significar informações mais úteis para orientar a divulgação, as vendas, a oferta de serviços e a experiência do público. Para o mercado, representa a possibilidade de desenvolver discussões mais qualificadas sobre tendências e oportunidades de crescimento.
“É transformar esses dados e conhecimento em valor tanto para o negócio, quanto para o produtor de eventos e mercado.”
É nessa passagem entre informação e aplicação que ela enxerga uma das principais oportunidades para a indústria. Conhecer melhor o público permite desenvolver experiências mais relevantes, identificar benefícios que realmente façam sentido e construir soluções conectadas às necessidades de cada perfil de consumidor.
Karla também destaca a retomada das pesquisas de mercado como parte desse esforço. A produção de conhecimento, em sua visão, ajuda a levantar discussões importantes e contribui para o desenvolvimento do setor como um todo.
Inteligência artificial, curiosidade e experiência humana
A tecnologia vem ampliando as possibilidades de análise e gestão, e a inteligência artificial já permite simplificar atividades que antes consumiam horas de trabalho. Para Karla, ferramentas capazes de automatizar tarefas, organizar informações e facilitar análises podem liberar tempo para atividades de maior valor estratégico.
Mas a capacidade de aproveitar essas possibilidades depende de uma competência que, para ela, não se limita ao domínio de ferramentas.
“Mas, se eu tivesse que destacar uma competência essencial para este momento e, na verdade, para qualquer fase da carreira, seria a curiosidade, acompanhada da capacidade de autodesenvolvimento.”
A recomendação vale para profissionais que desejam assumir posições de liderança e acompanhar as transformações do show business. Em vez de esperar que as oportunidades de aprendizado apareçam, é necessário buscar informações, experimentar ferramentas, estudar e desenvolver repertório próprio.

A própria Karla combina o uso da tecnologia com outras fontes de conhecimento. Embora utilize ferramentas digitais para ampliar seu aprendizado, mantém o hábito da leitura e valoriza o contato com diferentes referências.
“A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas precisamos complementar o que ela nos oferece com referências diversas, pensamento crítico e repertório próprio.”
No entretenimento, essa combinação ganha uma característica particular: a experiência presencial continua sendo indispensável para compreender o mercado.
Estar nos eventos, observar o comportamento do público, conversar com produtores, conhecer diferentes operações e trocar experiências com outros profissionais oferece aprendizados que não podem ser reproduzidos integralmente por uma ferramenta tecnológica.
“A troca entre pessoas jamais será substituída por uma inteligência artificial. É nessas interações que construímos relacionamentos, ampliamos nossa visão de mundo e desenvolvemos uma compreensão mais profunda das necessidades e oportunidades do mercado.”
A visão de Karla não coloca tecnologia e experiência prática em lados opostos. Pelo contrário: o potencial está em combinar as duas, usando ferramentas para ampliar a capacidade de análise sem perder a proximidade com as pessoas e com a realidade das operações.
O futuro do show business começa pela compreensão do mercado
A trajetória de Karla Megda reúne diferentes dimensões de uma indústria em transformação: a experiência operacional de quem já produziu eventos, a visão estratégica de quem trabalha com desenvolvimento de mercados e a perspectiva de quem acompanha o comportamento do consumidor por meio de dados e tecnologia.
Sua abordagem parte de uma ideia central: soluções relevantes surgem quando o conhecimento técnico encontra a compreensão real das necessidades do mercado.
Para as empresas, isso significa transformar informações em decisões mais consistentes. Para os produtores, significa ter acesso a ferramentas e inteligência que contribuam para seus negócios. Para os profissionais, significa manter a curiosidade, desenvolver novas competências e continuar aprendendo com a experiência prática.
Em um setor que depende tanto de inovação quanto de relacionamento, Karla defende uma combinação que tende a permanecer essencial, independentemente das ferramentas que surjam nos próximos anos: dados para ampliar a compreensão, tecnologia para facilitar o trabalho e pessoas para dar sentido às decisões.
Afinal, por trás de cada indicador, ingresso vendido ou evento realizado, existe um ecossistema de profissionais e um público com expectativas próprias. Entender essa dinâmica é o que permite transformar informação em estratégia — e estratégia em oportunidades para o show business.
#KarlaMoveOMercado
